Seu filho está produzindo conteúdo adultizado? Saiba como agir
- Ana Beatriz Araújo Cerqueira
- Aug 13
- 3 min read
Updated: Aug 19
O compartilhamento ou produção de conteúdo adultizado por crianças e adolescentes é mais do que apenas um problema de comportamento.
O conteúdo adultizado inclui fotos, vídeos, textos, comentários ou publicações que exponham o menor a situações de cunho sexual ou adulto. Esse tipo de material configura crime grave e envolve responsabilidade legal dos pais.
Compreender os riscos e a legislação aplicável é fundamental para agir de forma segura e eficaz.

Riscos legais para o menor e para os pais
Para o filho:
Divulgação de imagens íntimas é enquadrada como pornografia infantil (art. 241-A e 241-B do ECA; art. 218-C do Código Penal).
O menor pode ser alvo de investigação, perda de privacidade e exposição a predadores.
Para os pais:
Responsabilidade civil e criminal por omissão, se não atuarem para impedir ou denunciar a situação (Código Civil, art. 932; ECA, art. 129 e 232).
Se os pais compartilharem ou permitirem o compartilhamento, podem responder criminalmente por distribuição de conteúdo sexual de menores.
6 medidas imediatas que os pais devem tomar
Retirar conteúdo do ar imediatamente: verificar redes sociais, aplicativos de mensagem e backups.
Preservar provas sem expor mais o material: faça capturas de tela ou registros de URLs antes de solicitar remoção.
Acionar plataformas digitais: todas têm canais de denúncia para conteúdo sexual envolvendo menores (Instagram, TikTok, WhatsApp, YouTube).
Registrar ocorrência na polícia ou Ministério Público: para proteção do menor e eventual responsabilização de terceiros que compartilham o material.
Buscar orientação jurídica preventiva: um advogado pode orientar sobre como agir de forma segura, quais medidas podem ser tomadas sem criminalizar o menor e como evitar responsabilidade civil ou criminal para os pais.
Diálogo e acompanhamento psicológico: explicar ao filho os riscos legais e emocionais do que está fazendo e garantir apoio profissional, se necessário.
Prevenir é mais eficaz do que remediar
Pais que acompanham o que seus filhos produzem e compartilham online conseguem evitar que situações graves se transformem em processos criminais ou danos irreparáveis à reputação e à vida do menor.
Como um advogado pode atuar?
Orientação preventiva e estratégica
Explica os riscos legais para o menor e para os pais;
Indica como agir de forma que o filho não seja criminalizado;
Ensina quais medidas tomar antes que a situação piore.
Preservação de provas e registro seguro
Mostra como documentar conteúdos de forma segura, sem amplificar a exposição;
Garante que registros sejam aceitos por autoridades e plataformas digitais.
Remoção de conteúdo e contato com plataformas
Intermedia denúncias em redes sociais e aplicativos para remoção rápida de fotos ou vídeos;
Acelera processos de exclusão e bloqueio de perfis que compartilham o material.
Acompanhamento de medidas legais
Orienta sobre registro de boletins de ocorrência e denúncias ao Ministério Público;
Avalia se há necessidade de ações civis por danos ou tutela judicial preventiva;
Garante que a atuação dos pais seja legal e segura, evitando responsabilidade criminal por omissão.
Proteção da criança e da família
Ajuda a estabelecer limites claros para o uso da internet;
Indica acompanhamento psicológico e estratégias educativas, sempre combinando proteção jurídica com cuidado afetivo.
Jurisprudência Relevante para o Tema da Adultização de Crianças e Adolescentes
O caso Rádio e Televisão Record S.A. vs. Bianca Hulmann e Valentina Manuela Hulmann Palazolli (TJSP, 2019) ilustra a gravidade do uso indevido de imagem de menores e os riscos jurídicos envolvidos. Nele, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve uma condenação por danos morais no valor de R$ 20.000,00 por autora devido à exibição não autorizada de imagens em programa de TV, mesmo que o conteúdo abordasse um tema social ("adultização" de crianças).
Conclusão
A adolescência é um período de descobertas, testes de limites e escolhas arriscadas. É natural que seu filho queira explorar a própria identidade e os recursos digitais. Mas isso não significa que você deva ignorar riscos ou abrir mão da supervisão.
Conversar sobre comportamento online, limites e consequências legais pode ser desconfortável, mas é essencial. Às vezes, será necessário tomar medidas mais incisivas — restringir acesso, monitorar publicações ou intervir em aplicativos — não como punição, mas como proteção real.
💡 Lembre-se: firmeza e cuidado caminham juntos. Mostrar que você se importa, explicando o “porquê” de cada limite, ajuda o adolescente a compreender que essas medidas são para protegê-lo, e não apenas para controlá-lo.
Se você está passando por isso, procure um advogado especializado em direito de família e proteção da infância.
Comments