Posso postar fotos do meu enteado nas redes sociais?
- Ana Beatriz Araújo Cerqueira

- Aug 19, 2025
- 2 min read
Updated: Feb 24
O caso recente envolvendo Bruna Biancardi e Amanda Kimberlly, mães de filhas de Neymar, reacendeu um debate importante: quais são os limites da exposição de crianças na internet? Eu posso postar fotos do meu enteado nas redes sociais? A madrasta do meu filho pode postar fotos com minha filha?
Uma foto publicada.
Depois apagada.
E uma grande polêmica.
Mas a questão aqui não é “quem postou” ou “quem apagou”.
A questão é: quem pode autorizar a exposição da imagem de uma criança?

📌 O que diz a lei?
No Brasil, a imagem da criança é protegida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição Federal.
A criança tem direito à:
Preservação da imagem
Proteção da intimidade
Resguardo da dignidade
E, juridicamente, quem decide sobre a exposição é quem exerce o poder familiar — normalmente pai e mãe.
Em regra, madrastas, padrastos ou outros familiares não possuem poder de decisão autônoma, salvo se houver autorização expressa dos responsáveis legais.
Nesse sentido, em famílias com múltiplos núcleos — mães, pais, madrastas, padrastos, irmãos, meio-irmãos — o diálogo se torna essencial. Cada foto compartilhada pode impactar emocionalmente a criança e influenciar diretamente a forma como os responsáveis legais percebem e exercem a guarda.
Perguntar, comunicar regras e restrições não é controle, é cuidado: demonstra respeito pelos demais responsáveis, evita conflitos e protege a criança de situações que possam gerar desentendimentos legais ou afetivos.
📌 Por que o diálogo é tão importante em famílias complexas?
Em famílias recompostas — mães, pais, madrastas, padrastos, meio-irmãos — o cuidado precisa ser redobrado.
Uma simples foto pode:
Gerar conflito entre os responsáveis
Ser interpretada como desrespeito à guarda
Criar desgaste emocional desnecessário
Até embasar discussões judiciais
O diálogo, nesse sentido:
Evita mal-entendidos: todos os adultos envolvidos sabem o que pode ou não ser publicado.
Protege a criança: comentários maldosos ou distorções de imagem podem ser prevenidos.
Fortalece relações familiares: comunicação transparente evita conflitos e constrói respeito mútuo.
Ensina limites desde cedo: crianças observam e aprendem como lidar com regras e respeito ao próximo.
📌 O que devo fazer antes de postar fotos do meu enteado em redes sociais?
Nem toda memória precisa virar conteúdo. Ter pequenos cuidados pode preservar relações, evitar exposições indevidas e manter a família longe do judiciário.
Comunique antes: avise sempre os demais responsáveis antes de compartilhar imagens.
Seja seletivo: prefira momentos que não exponham vulnerabilidades.
Use configurações de privacidade: perfis fechados e listas restritas ajudam a proteger a criança.
Registre acordos: manter prints ou mensagens ajuda a esclarecer qualquer mal-entendido futuro.
Reflita sobre o impacto: cada publicação deve considerar o bem-estar da criança, não apenas o clique ou a curtida.
O caso de Amanda e Bruna é um convite à reflexão: em famílias complexas, com múltiplos núcleos, o diálogo e o respeito às regras estabelecidas pelos responsáveis são a melhor forma de proteger a infância. Afinal, mais importante que qualquer post é garantir que a criança possa apenas ser criança — e que a família seja um espaço de respeito, cuidado, diálogo e proteção.
⚖️ Como responsável legal, você tem o direito e o dever de preservar a integridade emocional e a imagem da criança. Publicar fotos pode ser um gesto de carinho, mas também exige atenção redobrada.




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